{"title":"Questão 133 - ENEM 2016","index":133,"discipline":"linguagens","language":null,"year":2016,"context":"**Lições de motim**\n\n**DONA COTINHA** – É claro! Só gosta de solidão quem nasceu pra ser solitário. Só o solitário gosta de solidão. Quem vive só e não gosta da solidão não é um solitário, é só um desacompanhado. (A reflexão escorrega lá pro fundo da alma.) Solidão é vocação, besta de quem pensa que é sina. Por isso, tem de ser valorizada. E não é qualquer um que pode ser solitário, não. Ah, mas não é mesmo! É preciso ter competência pra isso. (De súbito, pedagógica, volta-se para o homem.) É como poesia, sabe, moço? Tem de ser recitada em voz alta, que é pra gente sentir o gosto. (FAZ UMA PAUSA.) Você gosta de poesia? (O HOMEM TORNA A SE DEBATER. A VELHA INTERROMPE O DISCURSO E VOLTA A LHE DAR AS COSTAS, COMO SEMPRE, IMPASSÍVEL. O HOMEM, MAIS UMA VEZ, CANSADO, DESISTE.) Bem, como eu ia dizendo, pra viver bem com a solidão temos de ser proprietários dela e não inquilinos, me entende? Quem é inquilino da solidão não passa de um abandonado. É isso aí.\n\nZORZETTI, H. **Lições de motim**. Goiânia: Kelps, 2010 (adaptado).","files":[],"correctAlternative":"D","alternativesIntroduction":"Nesse trecho, o que caracteriza Lições de motim como texto teatral?","alternatives":[{"letter":"A","text":"O tom melancólico presente na cena.","file":null,"isCorrect":false},{"letter":"B","text":"As perguntas retóricas da personagem.","file":null,"isCorrect":false},{"letter":"C","text":"A interferência do narrador no desfecho da cena.","file":null,"isCorrect":false},{"letter":"D","text":"O uso de rubricas para construir a ação dramática.","file":null,"isCorrect":true},{"letter":"E","text":"As analogias sobre a solidão feitas pela personagem.","file":null,"isCorrect":false}]}